ELA DIZIA: EU QUERO MORRER

Acordei com o corpo dolorido, rosto amassado, com aquele sensação de quem dormiu mais do que gostaria. Meu celular tinha ficado na sala carregando, então logo que me levantei, abri as janelas, olhei pra rua e me deparei com um céu limpo e uma temperatura geladinha, mas extremamente agradavel.


Antes mesmo que chegasse perto do telefone, já podia ver luzinhas verdes e brancas piscando, sinalizando que havia algumas notificações por ali. Peguei meu café, me acomodei no sofá e fui ver do que se tratava. Depois de passar pro lado algumas notificações de aniversário do facebook e promoções de aplicativo de comida, vi uma mensag

em que não esperava ver. Ela dizia: Quero morrer.


Não posso dizer que é incomum receber mensagem desse tipo. Afinal, já fazem alguns anos que me propus internamente a tentar ser apoio a todos aqueles que precisam e que de alguma forma tenham acesso pra mim.


Mas nos primeiros minutos do meu dia, confesso que fiquei angustiado com tal mensagem. Respondi, mas não recebi retorno. E enquanto tomava outros goles do meu café, ficava tentando digerir e imaginar tudo o que aquela pessoa poderia estar passando pra antes mesmo das 10h da manhã não só estar sentindo vontade de morrer, como ter tido o impulso de verbalizar tal sentimento com alguém.


É díficil pedir ajuda. A maioria de nós foi educado a sofrer sozinho, máscarar nossas dores, responder que ta tudo sempre bem, mesmo que estejamos na mais fedorenta das merdas. Sofrer é visto com tanto preconceito, que ao invés de sentirmos empatia, nos distanciamos do outro numa espécie de oportunidade para nos sentirmos um pouco maiores.

Perceba então o quanto temos sido pequenos.


Tão preocupados em falar, aparentar, mostrar fragmentos de uma vida perfeitamente imperfeita, nos fazemos incapazes de ouvir o próximo e acolher a dor do outro sem maiores pretensões. Só por amor, só porque é humano, só porque fazer o bem faz bem.

Nossa doença vai além do covid-19. Vivemos a muito tempo uma pandemia de pessoas isoladas em seus telefones, que não fazem ideia que querem ser na vida e tão pouco reconhecem aquilo tudo que já são. Nos tornamos mais frios, mais céticos, menos sensiveis aos sentimentos que nos habitam e as pessoas que nos cercam.


Que esse tempo todo sem maiores contatos sociais, nos desperte pra uma visão de vida mais amorosa, simples e humilde. É claro que a vida e seus mistérios não pode ser chamada de fácil, mas quando vemos mais e mais pesossas vendo na morte um caminho melhor que a vida, precisamos nos questionar seriamente o que temos elencado como nossos propósitos de vida.

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